Tomorrowland Brasil 2015. Foto de Gabriel Quintão

Tomorrowland Brasil 2015. Foto de Gabriel Quintão

Um clima de Carnaval tomou conta da primeira edição brasileira do Tomorrowland. O festival de música eletrônica começou na sexta (1º) e vai até domingo. Um público estimado em 60 mil pessoas encontrou uma estrutura que fez jus a Itu, cidade conhecida por seu apreço ao gigantismo.

O cuidado com a decoração e iluminação, somado a ausência de grandes filas e de aperto, comprovaram que os belgas, organizadores do festival, trouxeram toda a estrutura do evento original, que também recebe 180 mil pessoas em três dias e não foram gananciosos a ponto de abarrotar a Arena Maeda. Era possível circular com facilidade.

Os preços, no entanto, também eram dignos de Bélgica, com a moeda própria do festival valendo R$ 5,50. Um hambúrguer sai por R$ 33. Os valores não inibiram o consumo, segundo a organização 200 mil litros de cerveja foram bebidos, média de 3,3 litros por pessoa.

Bandeiras de países como Colômbia, Canadá, Chile, Paraguai, Argentina, Estados Unidos e Turquia tremulavam na frente dos palcos, comprovando o ar internacional do evento, que reúne 178 DJs de 19 países.

No mainstage diante de um oceano humano, Felguk, Deorro, W&W, Hardwell e Steve Aoki, foram os DJs que mais levantaram a galera. A melhor música do ponto de vista técnico e artístico, no entanto, estava nos palcos secundários. O lendário Marky, maior DJ brasileiro em todos em todos e espécie de Pelé das pick-ups, tocou para um público que encheria uma boate. Ainda assim, se esforçou como sempre, para ele não há jogo perdido, tocou clássicos e antecipou faixas que vão estar em seu novo álbum.

Jamie Jones tocou um som fino no palco Paradise, o de melhor nível da noite, salvou nossos ouvidos que sangravam com as buzinas, viradas clichê e do clima de “tira o pé do chão, galera”, típico de micareta. Neste sábado, o papéis de salvadores da pátria deverão recair sobre Kollektive Turmstrasse, entre 22h30 e 23h30, e Solomun, entre 23h30 e 2h. No domingo, é a vez do Art Department, entre 22h e meia-noite.

Há esperança que essa história, usando a metáfora do livro da sabedoria que amarra o conceito festival, tenha um final feliz em suas páginas finais. O tempo dirá se os DJs e produtores hoje acusados de serem meros diluidores do que nasceu no underground, no gueto negro, latino e gay, merecerão o limbo ou serão lembrados como desbravadores de uma nova estética. A música, que está sempre em movimento e tem como característica deixar marcas afetivas na alma e na memória de cada um de nós, sobreviverá.

 

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