A cantora e compositora Mamani Keïta, do Mali

Divulgação A cantora e compositora Mamani Keïta, do Mali

Para a edição de 2017, a rua mais querida do público do Rock in Rio, a Rock Street, vem inspirada na África, que estará representada através dos músicos, atrações de rua e da arquitetura das casas. Haverá shows exclusivos durante os sete dias de evento com emblemáticos artistas africanos. A curadoria artística do espaço é de Toy Lima, em parceria com a diretora artística Marisa Menezes, que está à frente de toda a programação da rua e seus personagens característicos.

“Ciente da vasta contribuição da música africana para o cenário mundial, o Rock in Rio, que desde sua primeira edição celebra os mais diversos segmentos musicais, decide dedicar a Rock Street inteiramente ao continente africano e mostrar a origem de todos os ritmos que estarão nos outros palcos do festival”, afirma texto de divulgação do festival.

“Através dos anos, as batidas e a identidade rítmica da África se espalharam pelo mundo e foram interpretados de maneiras diferentes. Do interior do Congo à imensidão do deserto marroquino, muitos ritmos, danças, línguas e instrumentos pouco conhecidos pelos brasileiros foram responsáveis pela criação e influência dos mais diversos gêneros musicais. Do rock ao samba, do reggae ao blues, a célula musical de matriz africana está sempre presente, completa.

Segundo a organização, toda a representação do continente estará centrada no lúdico. O público conhecerá de perto extrações da cultura africana, multicultural desde o ritmo até o figurino, que foram desenvolvidos a partir de tecidos originais e muitas miçangas coloridas. As amarrações características das roupas também estarão presentes, além de búzios, guizos e franjas.

“A Rock Street fala de unidade e pluralidade ao mesmo tempo. Essa mistura de linguagens que a rua proporciona – música, dança, ritmo e performance – se encaixa perfeitamente ao conceito que vem sendo estudado e trabalhado pela equipe. Tudo isso estará refletido nos artistas que estarão no palco”, afirma Toy Lima.

Formatado em shows compactos e às vezes com participação na rua, nomes como Les Tambours de Brazza do Congo, a cantora e compositora Mamani Keïta do Mali, o duo Alfred & Bernard do Burundi, Fredy Massamba do Congo, Ba Cissoko de Guiné e os sensacionais Tyous Gnaoua do deserto do Marrocos farão da Rock Street África um portão de entrada para a música popular em todo o mundo.

Sobre os artistas:

Les Tambours de Brazza

Uma das mais espetaculares bandas de percussionistas da África Central, o coletivo Les Tambours de Brazza é um ícone da world music. Mesclando a tradição e modernidade dos vários ritmos do Congo em vertiginosas apresentações baseadas no som do Ngoma, tambores de acentos rítmicos variados que dialogam com instrumentos ocidentais como baixo e guitarra o grupo contagia e encanta. Criado em 1991, o Les Tambours, como são mundialmente conhecidos, já se apresentaram nos mais prestigiados festivais de todo o planeta mostrando a graça e pulsação de sua música e dança. São mágicos do ritmo e do corpo e trazem um pouco de sua ancestralidade em suas composições que vão do rap ao reggae.

Ba Cissoko

Com muita energia no palco Ba Cissoko é um dos mais conceituados músicos de origem griot. Ele reinventa em suas composições a tradição Mandingue mostrando como multi-instrumentista o seu afro-beat pontuado por instrumentos como a Kora, o D´Gouni, guitarra, baixo e tomani – tambor falante usado em toda a África do oeste em países como Senegal, Gâmbia e Nigéria.

Seu último trabalho gravado, Nimissa de 2012 foi recebido com grande sucesso de público e crítica e atualmente Cissoko é um nome referência nos line-ups de muitos festivais descolados da Europa. Criado em 1999, o grupo de Ba Cissoko é uma das atrações mais esperadas da Street África.

Mamani Keïta

O Mali, país de riqueza musical intensa, não poderia estar de fora dessa celebração africana no Rock in Rio. A cantora e compositora Mamani Keïta que onde quer que se apresente sua calorosa música leva a verdade musical de sua origem foi a escolhida. Artista engajada na divulgação da música africana em todo o mundo Mamani Keïta vem pela primeira vez ao Brasil com seu grupo que eletrifica suas canções com o suingue e a doçura das mulheres malineses. A sintonia dela com seu grupo é única e admirável tendo colhido os mais belos elogios e é executada nas rádios destacadas em todo o mundo.

Alfred et Bernard

Os primos Alfred e Bernard são nascidos e criados em uma grande família musical do Burundi, pequeno país central da África onde nasce o rio Nilo e ritmos bastante singulares. Seu instrumento original é o Umuduri, ancestral e bastante parecido com o berimbau usado no Brasil. Desde seu primeiro álbum de 2010 o Alfred et Bernard vem se utilizando da mixagem de instrumentos tradicionais e modernos em suas apresentações que lhe valeram o principal prêmio da música africana em 2011, o L’East African Music Awards na categoria Folk/Musique Traditionenelle em Nairobi. Seu último trabalho de 2015, La vois des collines figura hoje como um dos mais representativos da música de sua região em todo o mundo.

Fredy Massamba

Uma das mais belas vozes da África, Fredy Massamba é de Pointe-Noire (Congo) e já rodou o mundo com suas canções que sob a base rítmica africana junta elementos que vão do soul ao funk em performances que costumam deixar o público maravilhado. Sua inacreditável voz, potente e gutural, dá toda a beleza às línguas originais de seu canto, o Kingongo e Lingala e lhe renderam convites para gravações com músicos como Mos Def and the Roots entre tantos. Também pela primeira vez no Brasil, Fredy Massamba é o próprio canto africano original e se apresentou nos mais prestigiados festivais de todo o mundo com uma formação que reúne guitarra, baixo, teclados e uma incrível percussão corp oral.

Tyous Gnaoua

O Tyous Gnaoua é um grupo que se formou nos anos 90, liderado pelo Maâlem (mestre do ritmo) Abdeslam Allikane na cidade de Essaouira, antiga Mogador no Marrocos. Essaouira e a música Gnaoua sempre fascinaram os músicos do planeta inteiro. Jimy Hendrix esteve lá duas vezes, e em 1999, o Maâlem Allikane fundou o festival Gnaoua de Essaouira que atrai músicos de todo o mundo como Sting e Pat Metheny entre tantos. No Brasil, o grupo vai apresentar sua música fascinante sempre pontuada pelo contrabaixo “Guemberi”, um dos instrumentos mais antigos da civilização. Já seu canto é um amálgama das línguas árabes e do Bambara, típica dos povos nômades do deserto.

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