“Vocês têm bom gosto”. Tudo bem que a frase de Rita Lee não parece muito modesta. Mas realmente cabia ao público que estava na última sexta-feira (27/08) no Hotel Unique, em São Paulo, onde a roqueira gravava seu MTV Ao Vivo.

Se você é daqueles fãs que curtem as músicas antigas da cantora e não estão nem aí para o Balacobaco, aqui vai um aviso: não perca seu tempo para assistir ao programa. O CD mais recente de Rita compõe boa parte da apresentação, dividindo espaço com canções bem antigas (bem antigas mesmo).

Mas acompanhar um show de Rita Lee nunca é perda de tempo. Menos ainda esse novo que a roqueira montou. Componente principal de um cenário psicodélico, perfeito ao seu perfil, a estrela protagonizou um espetáculo que queria mostrar que a eterna Mutante não é simplesmente uma mulher polêmica que fala mal de quem quiser, no momento em que lhe der na telha. A primeira metade do show, embora não tenha empolgado a platéia (exceto os fãs mais fervorosos, que se espremiam na fila do gargarejo), provou que Rita Lee sempre fez sucesso porque também sabe cantar. E bem. Ela já não é mais nenhuma mocinha, mas sabe segurar cada faixa numa boa.

Agora, se você não sabe como é a gravação de um especial ou de um DVD (nesse caso, as duas opções), a gente pode contar. Muitas das músicas precisam ser repetidas. O problema é que Rita Lee chegou a entoar três vezes “Meio-fio”, canção composta há pouco mais de uma semana por Roberto de Carvalho (inteirão, diga-se de passagem) e recheada com uma letra de Arnaldo Antunes que não tem cara de Arnaldo Antunes. A roqueira errou a música em dois momentos e precisou repetir. Não, não é nenhuma tortura ficar alguns minutos a mais em um show de uma das grandes estrelas da música brasileira. Mas um pouco mais de ensaio não faz mal a ninguém, né?

Mas se Rita Lee vai muito bem sozinha, acompanhada ela também dá um baile. Na quinta-feira, a convidada da noite foi Pitty, como já havia sido anunciado. No entanto, a platéia de sexta-feira teve o privilégio de acompanhar duas vezes “Pagu” ao som de Rita e Zélia Duncan, que estava na cidade para realizar dois shows no final de semana. Essa é, sem dúvida, uma das grandes parcerias do rock nacional.

“Amor e Sexo” agitou a galera, logo no comecinho da apresentação. Outro ponto alto foi “Tudo Vira Bosta”, introduzida por uma frase providencial: ‘vamos fundar a Igreja da escatologia’. Rita Lee, sem explicações.

Ah, o veneninho básico não faltou e as vítimas não foram poucas: Paulo Maluf (‘ele deveria ter um programa de TV, está sempre com um texto na ponta da língua’), Padre Marcelo Rossi (‘levantem as mãos para o céu e louvem ao senhor’), pagode e axé (‘com a idade, eu estou ficando mais tolerante’), corredores de marcha atlética nas Olimpíadas (‘eles correm com aquele jeitinho, mas ficam dizendo que são machos’) e até a própria classe (‘a ordem dos músicos do Brasil é uma merda’).

Para aqueles citados lá em cima, que só conhecem “Doce Vampiro”, “Ovelha Negra”, “Lança-Perfume” e “Mania de Você”, a gente avisa que ela cantou sim. Mas demorou, e durou pouco. Resta saber se o público da MTV quer ver a nova ou a antiga Rita Lee.

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