Stacey Kent é o que se chama de uma globetrotter, uma viajante global. A turnê do seu novo trabalho, The Changing Lights (Warner Music), que chega ao Brasil nesta quarta-feira (28), no Brasil, já passou por 22 países e deve alcançar a marca de 35.

“Eu diria que a música brasileira fala, não apenas da música brasileira, mas simplesmente da condição humana. Toca o mundo inteiro. Isso posso dizer com certeza porque estou viajando o tempo todo. Austrália, Ásia, América do Sul, os Estados Unidos, minha casa, Europa, Escandinável, Leste da Europa, Rússia. As pessoas adoram a música do Brasil. É incrível”, afirma.

A norte-americana, prodigiosa a ponte de ser fluente em português, francês, italiano e alemão, é uma espécie de embaixadora mundial da nossa música. The Changing Lights traz canções de Tom Jobim, Dorival Caymmi, Marcos ValleRoberto Menescal. Este último participa em duas faixas do álbum, incluindo sua clássica, O Barquinho.

Veja Stacey Kent, One Note Samba

“No mundo todo, eu diria que a reação mais forte da plateia, quando eu estou no palco, cantando, vem sempre das canções brasileiras”, afirma, antes de citar o frenesi causado na Polônia. “As pessoas vinham depois do show e falam das canções lindas do Jobim, que elas adoram”, diz.

Stacey, que trabalha em família, ao lado do marido Jim Tomlinson, produtor e arranjador do disco, afirma ver aproximação da música brasileira com o pop. “O tempo todo. Sabe, a gente fala sempre do crossover, mas eu acho que a música é a música. Jobim estava escutando Ravel, Debussy, Villa-Lobos, Chopin”, afirma.

A cantora também lembra o amigo e parceiro Marcos Valle, idolatrado por plateias jovens pelo mundo. “Aqui hoje temos pop music que as pessoas cantam Os Grilos, do Marcos Valle, por exemplo, pessoas que são influenciadas por outras músicas”, aponta.

Ela também lembra o dia em que foi surpreendida por um telefonema de um rockstar. “Eu vou te dizer uma coisa engraçada, eu recebi, faz um ano, uma chamada por telefone do Steven Tyler, do Aerosmith, você conhece, não é? Ele me telefonou porque conseguiu meu número com o meu agente. Ele disse, Stacy, sou músico do pop, e não é evidente na minha música, mas, eu tenho que dizer, que você é uma das minhas cantoras favoritas no mundo, sempre escuto você no meu carro”, afirma.

“Eu poderia dizer que todos os músicos, podemos achar a extração no outro tipo de música, o tempo todo. Então, vem esse homem do rock, do rock gigantesco, que escuta música do Brasil, é sempre uma mistura”, conclui. 

Sobre o nome do álbum e a faixa título, Stacy revela a sua intenção. “Para mim, remetia exatamente ao universo que eu queria com esse disco, falando da tensão suave entre tristeza e alegria. E The Changing Lights pode ser metafórico porque as luzes mudam e nos dá oportunidade de refletir sobre a vida, para mudar as coisas. E nunca é com drama, nunca é uma coisa trágica”, filosofa.

O Tio Sam anda conhecendo bem mais que a nossa batucada. Décadas depois do Big Bang provocado pelo encontro do jazz com o samba, Stacey mostra que este tipo de aproximação continua sendo, como a bossa nova, muito natural.

 

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