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(Foto: divulgação) Novos Baianos

Por PAULO TASCA

Em momento histórico e com formação original, o grupo Novos Baianos retorna após 18 anos em turnê que inclui São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Primeiro, nos dias 12 e 13 de agosto, no Citibank Hall, em São Paulo. Depois, também haverá dois shows no Rio, no Metropolitan em 2 e 3 de setembro, e um no BH Hall de Belo Horizonte, em 10 de setembro.

Dá para imaginar, numa analogia, que esse evento é algo como se os lendários jovens de Liverpool estivessem de volta para dar um show em Londres, depois de quase duas décadas, tocando Sgt. Peppers e outros tantos sucessos pra lá de consagrados, coisa que não aconteceu nem nunca acontecerá. Já no caso dos Novos Baianos, sim, por sorte nossa.

Novos Baianos porque sim, oxe

Agora que lá se vão 47 anos do nascimento da banda, fica fácil entender. Mas verdade seja dita: na época, ninguém entendeu nada. Quando Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor,Baby Consuelo, Pepeu Gomes e Luiz Galvão foram tocar na TV Record pela primeira vez, a banda nem mesmo tinha um nome – de tão descompromissados com o que o mundo esperava deles e de tão concentrados em só fazer música verdadeira e se divertir.

Foi o mesmo ano em que os dois baianos consagrados pela Tropicália, Caetano Veloso e Gilberto Gil, tiveram que se mandar para o exílio: 1969. Ficou um vácuo ideal para que o grupo aproveitasse. Na estreia no palco, um funcionário gritou: “Chama aí esses novos baianos!” Por isso, Pepeu simplificou: “novos, porque pós-Caetano e Gil e baianos, porque sim, oxe!”

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(Foto: divulgação) Quando ainda eram um quarteto, sem Pepeu Gomes

O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada

Enquanto todo mundo estava na onda da Tropicália – a música brasileira procurando inspiração no rock psicodélico norte-americano e inglês – eles já estavam no caminho inverso. Uns cabeludos abrasileirando o rock intuitivamente, sem pretensão, acabando por definir nossa primeira identidade genuína no estilo. Uma colorida mistura que começava com bossa nova, frevo, baião, choro e afoxé, terminando no rock’n’roll.

Em Ipanema, Pepeu achou para o baixo Dadi, um roqueiro cabeludo de 18 anos que só sabia tocar Rolling Stones, e chamou seu irmão baterista Jorginho Gomes e mais dois percussionistas paulistas, Bola e Baixinho. Tente calcular a farra de 12 pessoas morando juntas numa casa de quatro cômodos, acordando e fazendo música todos os dias, o tempo todo.

Em 1971, João Gilberto vem ao Brasil e resolve se confraternizar com os Novos Baianos no Rio, onde moravam todos, no Botafogo. Ali, justamente o maior ídolo dos baianos “mais velhos”, sugeriu que eles tocassem Brasil Pandeiro, de Assis Valente, porque achava que era uma música que tinha a cara deles. E a colocar cavaquinho, pandeiro e tocar samba.

Não deu outra. Fecharam com a boate Number One, em Ipanema, para uma temporada de um mês e acabaram ficando dois anos, por insistência do dono. O público meia-idade da casa ficava perplexo ao ver aquele bando de baianos cabeludos, irreverentes e imprevisíveis tocando samba autoral com aquela competência. Era curioso, inesperado, mas estava acontecendo.

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(Foto: divulgação) Foto da capa de “Acabou Chorare”, álbum clássico de 1972

Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor

Todos conhecem a saga do quarteto de Liverpool, que ralou duro durante um bom tempo em Hamburgo, para só depois de amadurecer dominar a cena no Cavern Club e ganhar o mundo. Mesmo assim, foram mais cinco anos até Sgt. Pepper’s, trabalho que imortalizou a banda de vez.

Os Novos Baianos, depois do LP inaugural É Ferro Na Boneca (RGE) e alguns compactos, pegaram um mega-atalho no rumo do sucesso ao lançarem Acabou Chorare pela Som Livre.

De longe o melhor trabalho do grupo, esse álbum nasceu conciso e fadado a figurar como discografia básica da música brasileira em geral. Um álbum clássico. Ele materializou de uma só vez e rapidamente um dos capítulos mais importantes da nossa música.

A frase de João Gilberto profetizando que era hora dessa rapaziada mostrar seu valor, como um toque de Midas, fez explodirem a criação da dupla Moraes-Galvão, a direção musical e a guitarra de trio elétrico mesclada com Jimi Hendrix de Pepeu, o carisma de menina sapeca de Baby e os lados meio malandro, meio mandingueiro de Paulinho. Essa salada rica transformou o disco em ouro, num fenômeno imediato.

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(Foto: Enrico Porro/Divulgação) Moraes Moreira, o principal compositor e cantor do grupo

Em 2007, esse trabalho foi classificado em primeiríssimo lugar entre os 100 álbuns mais importantes da música brasileira, pela imprensa especializada. O tamanho do barulho ficou enorme em todos os sentidos. A família não parava de crescer com a chegada constante de novos simpatizantes, que iam sendo acolhidos por eles, e com o nascimento dos filhos.

Resolveram alugar um sítio em Jacarepaguá e depois se mudaram para uma fazenda no interior de São Paulo, para caber todo mundo. Tudo cresceu demais e, como é de costume, rápido demais. Foi ficando fora de controle até que um a um dos integrantes começou a explorar suas carreiras solo. Acabou.

Enquanto corria a barca, vim lhe chamar

Tudo isso amplia ainda mais a dimensão do impacto que a volta dos Novos Baianos produzirão com o espetáculo Acabou Chorare – Os Novos Baianos Se Encontram. Um chamado obrigatório para ver e ouvir de novo Preta Pretinha,  A Menina Dança, Samba da Minha Terra, Mistério do Planeta, Ladeira da Praça e Brasileirinho com todos os membros originais. A avant-première na Concha Acústica do TCA, de Salvador, em 15 de maio passado, já é tida como um acontecimento histórico, com direito a ingressos esgotados no primeiro dia de vendas e show extra, no dia seguinte da estreia. Mais um fator que põe uma lente de aumento de expectativa e ansiedade ainda maiores sobre a importância dos shows em SP, RJ e BH. Quem quiser reviver, verá.

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(Foto: divulgação) A espera acabou com a estreia da turnê em Salvador, onde tudo começou

SERVIÇO

NOVOS BAIANOS – ACABOU CHORARE OS NOVOS BAIANOS SE ENCONTRAM

Apresentações: Sexta-feira, dia 12 de agosto de 2016, às 22h30.
Sábado, dia 13 de agosto de 2016, às 22h30.
Local: Citibank Hall SP – Av. das Nações Unidas, 17.955 – Santo Amaro – São Paulo (SP).
Capacidade: 3.873 lugares.
Duração: Aproximadamente 1h40.
Ingressos: De R$ 100 a R$ 560 (ver tabela completa).
Classificação etária: Não será permitida a entrada de menores de 12 anos.
De 12 a 14 anos: permitida a entrada acompanhados dos pais ou responsáveis legais.
De 15 anos em diante: permitida a entrada desacompanhados.
Abertura da casa: 1h30 antes do espetáculo.
Acesso para deficientes
Ar-condicionado
Venda de ingressos no site: www.ticketsforfun.com.br

Venda a grupos: grupos@t4f.com.br
Meio preferencial de pagamento: Citi.
Estacionamento (terceirizado): R$ 50.

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