Foto por Carol Castro

Todos nós temos uma rotina, hábitos que precisam ser mantidos, compromissos e obrigações. Durante o dia, assumimos diferentes papéis e personalidades para se adequar ao ambiente e as pessoas que estamos convivendo. Zudizilla, ou Zulu, decidiu compartilhar sua rotina com 3 lançamentos que resultam no EP “MANHÃ, TARDE & NOITE”. A partir de hoje cada música será disponibilizada em um dia no seu respectivo período. Nesta manhã, “Sintonize” chega às plataformas e o cantor fala com o Virgula sobre a faixa.

Sol, champagne, charutos e golfe. Essa é a manhã de bon-vivant, alter ego do artista que aparece no clipe. Em uma inversão de papéis, em que o homem branco é o ajudante e o homem preto, que no geral encara os trabalhos de submissão, é o jogador de golfe, Zulu muda o jogo. “Essa vontade de vencer e de se tornar aquilo tudo ao qual não foi preparado para ser é um desejo presente na cabeça de todos os que nasceram e cresceram em condições adversas”, revela o artista. Em “Sintonize”, Zulu canta sobre as conquistas e agradece aqueles que sempre estiveram do seu lado, e até os que torceram contra.

Este é o primeiro de três lançamentos que rapper parte de questões para encontrar respostas “As questões erguidas não são minhas, mas acredito que quando alguém encontra uma solução, a dúvida que existia em si floresce em outros. E a questão principal é: o que você faz com o que o sucesso te traz? Você aproveita, compartilha, ou sucumbe? Minhas respostas acerca disso virão desse EP pra frente”, conclui o artista que se prepara para lançar seu segundo álbum, ainda sem data de estreia.

As faixas acompanham o artista em diferentes momentos, representando cada lado de Zulu. “Sintonize” é a faixa inédita da trilogia, os clipes de TARDE com “Típico” e NOITE com”N. Word”, que completam a narrativa, estarão disponíveis na tarde desta quarta-feira e noite de quinta-feira, respectivamente. Abaixo, confira a entrevista com Zulu sobre o lançamento de “Sintonize”.

Daniela de Jesus: Como o rap surgiu na sua vida?
Zulu: Entrei em contato com o rap graças ao graffiti, eu venho de um bairro em que o gênero era bem consumido, mas na época eu me identificava muito mais com guitarras distorcidas e vocais menos presos a estruturas musicais. Essas dinâmicas de punk e hardcore me deram uma noção política que foi norteando, inclusive, minha forma de fazer arte de rua e sem que eu percebesse já transitava entre as ações sociais de minha cidade na busca por igualdade de oportunidades para os que vinham de realidades parecidas com a minha. Esse é o momento em que encontro o hip hop e atuo nele por mais uns bons 4 anos, até de fato ser convidado para adentrar estúdios. Na época eu era conhecido por fazer freestyle em eventos que ia como grafiteiro. Daí pra frente nunca mais parei e comecei a entender o rap enquanto possibilidade profissional – e cá estou.

D: O EP é uma apresentação do Zudizilla, talvez ele tenha as respostas para quem você é ou traga mais questionamentos. Que respostas você encontrou no processo de produção e quais questionamentos surgiram?
Z: Esse extended play é o final de um ciclo e um easter egg para entender o próximo passo, o meu segundo álbum da sequência “Zulu”. Manhã, Tarde & Noite realmente traz minha essência enquanto indivíduo até aqui. Surgiram muito naturalmente as músicas que compõem esse EP, e foram capitaneadas pela Sintonize, que de todas as 3 é a única faixa que não é inédita. Essa é a que cumpre o papel de encerramento do ciclo do volume 1. As outras duas surgiram da possibilidade de transformar esse projeto em algo mais extenso para a compreensão geral do que me proponho enquanto artista, que é não me separar do indivíduo que construiu a persona artística e da responsabilidade que essa mesma traz para comigo e com os que me rodeiam. As questões erguidas não são minhas, mas acredito que quando alguém encontra uma solução, a dúvida que existia em si floresce em outros. E a questão principal é: o que você faz com o que o sucesso te traz? Você aproveita, compartilha, ou sucumbe? Minhas respostas acerca disso virão desse EP pra frente.

D: No primeiro clipe da trilogia, “MANHÔ com a música “Sintonize”, você interpreta o alter ego bon-vivant. Como foi criar esse personagem e o que ele representa?
Z: Esse alter ego é o mais presente não minha personalidade, quase sendo parte do meu ego. Essa vontade de vencer e de se tornar aquilo tudo ao qual não foi preparado para ser é um desejo presente na cabeça de todos os que nasceram e cresceram em condições adversas. Eu, um mc viciado na cultura beat, que sempre opta pela realidade enquanto arte, sempre trago a verdade como chefe de minhas criações e quando terminei esse EP pensei em me utilizar da licença poética visual para ilustrar melhor os 3 momentos que convivo durante um dia, as três personalidades que carrego durante essa vida.
A proposital troca de lugares de poder do clipe é também uma forma de mostrar para que minha arte serve. E eu amo Champagne, charutos e golfe, eu mereço.

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