Até o último dia 28 de novembro, foram notificados mais de 1.200 casos suspeitos de microcefalia em 13 estados do Brasil e o Distrito Federal, com o registro de sete mortes, de acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, divulgado nesta segunda-feira (30). Embora o Ministério esteja atuando em todos os estados que apresentam focos da doença, é em Pernambuco que os esforços estão concentrados no combate ao mosquito Aëdes aegypti, responsável por transmitir dengue, chikungunya e Zika, o vírus suspeito de desencadear tantos casos da doença. Em relação a 2014, houve um aumento de 749% no número de casos notificados. O estado chegou a declarar estado de emergência, já que são 646 casos suspeitos de microcefalia, seguido por Paraíba (248) e Rio Grande do Norte (79).

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“Ainda não é possível ter certeza sobre a causa para o aumento de microcefalia que tem sido registrado nos estados. Todas as hipóteses estão sendo minuciosamente analisadas pelo Ministério da Saúde e qualquer conclusão neste momento é precipitada”, afirma o boletim oficial do governo. Embora as suspeitas apontem o Zika vírus como responsável pela epidemia de microcefalia, outras situações e condições podem estimular a doença.

Conversamos com Gabriel Variane, neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, para entender melhor algumas causas secundárias da doença, possibilidades de tratamento e como a microcefalia se manifesta em recém-nascidos. Entenda melhor:

A EXPLICAÇÃO DO SURTO

“A principal hipótese diagnóstica para o surto recente de microcefalia é a infecção materna pelo Zika vírus, que, assim como o vírus da dengue, é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Trata-se de um assunto alarmante para a população pelo grande número de casos que está aumentando com velocidade importante”, explica Gabriel Variane.

Embora a epidemia seja preocupante, o neonatologista reforça que ainda é cedo para sabermos se é o caso de a doença se tornar muito comum no Brasil, principalmente com as medidas de emergência em saúde pública que estão sendo tomadas pelo Ministério da Saúde para combater o surgimento para gestantes.

PRINCIPAIS CAUSAS

O Zika vírus não é o único vilão dessa história que tem alarmado gestantes e mulheres que querem ser mães. De acordo com Gabriel Variane, a microcefalia pode ocorrer secundariamente a síndromes genéticas, infecções congênitas causadas por citomegalovírus (da família do herpesvírus, a mesma dos vírus da catapora, herpes simples e herpes genital), toxoplasmose, rubéola e varicela; a exposição a substâncias tóxicas, drogas e álcool também pode estimular a doença.

COMO EVITAR

O controle do mosquito transmissor e do Zika vírus estão fora do alcance de quem mora nos principais estados afetados. Tem gente até cogitando mudar para outras cidades, como uma forma de fugir da ameaça, já que é uma possibilidade por ora. Mesmo assim, como a gente comentou ali em cima, existem outras situações que também podem aumentar os riscos de microcefalia. Alguns cuidados, portanto, são fundamentais para uma gestação saudável e segura.

“É importante que a mãe sempre mantenha suas vacinas atualizadas de acordo com o calendário vacinal do Ministério da Saúde, além de atentar aos alimentos e medicamentos que consumir na gestação. Também é fundamental evitar a todo custo o uso de substâncias tóxicas, álcool e drogas ilícitas. Além disso, uma dica é se proteger de picadas de insetos e consultar os médicos quanto ao uso de repelentes permitidos durante a gravidez. Caso ocorra qualquer alteração no estado de saúde, a gestante deverá procurar um medico imediatamente”, aconselha o neonatologista.

Repelentes com as substâncias DEET, Icaridina ou Picaridina e IR3535 são compostos eficientes para a prevenção da picada do mosquito transmissor, de acordo com a ANVISA.

O QUE É A MICROCEFALIA

Microcefalia é a doença em que o tamanho da cabeça do bebê é menor do que o mínimo esperado para a idade, em relação a outras crianças que não apresentam o mesmo diagnóstico. A microcefalia ocorre por conta de um atraso do desenvolvimento cerebral e da caixa craniana, associada ao atraso do desenvolvimento neuropsicomotor e à deficiência intelectual.

Dificuldades de amamentação e alimentação, atraso na aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades psicomotoras, crises convulsivas e espasticidade (que é a dificuldade para relaxar e controlar os músculos) são alguns dos sintomas que acompanham o crescimento de crianças com microcefalia.

De acordo com Gabriel Variane, não há uma cara para a doença ou um tratamento que consiga reverter completamente a condição. A saída é buscar tratamentos e alternativas que possam minimizar esses sintomas, potencializando outras habilidades da criança e promovendo o estímulo neurológico possível dentro das limitações.

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