sebastian marroquin

Reprodução/Facebook

O arquiteto Sebastian Marroquin, filho do narcotraficante Pablo Escobar, assistiu à segunda temporada de Narcos, que conta mais uma parte da história de seu pai, e usou o Facebook para publicar o texto Narcos y sus 28 Quimeras, em que aponta erros históricos que foram cometidos. Além de tudo, convidou os telespectadores que quiserem conhecer a verdade sobre Pablo a ler o livro Meu Pai, escrito por Sebastian.

“Em nome do meu país e em honra a verdade do que aconteceu nos anos 80 e 90, me vejo na obrigação de expor os erros gravíssimos de uma série que se autoproclama como verossímil, quando se distancia muito disso, insultando a história de uma nação, de muitas vítimas e famílias”, escreveu no post.

Veja a lista com alguns dos erros apontados por Sebastian Marroquin:

1. Carlos Henao era meu tio materno e não era nenhum narcotraficante como lhe pintam na série. Era um grande homem, trabalhador, honesto e um bom pai de família. Era um arquiteto empírico que ajudou a construir algumas casas e pontes de La Hacienda Nápoles, de meu pai, mas nunca se envolveu em atividades ilíticias. Jamais foi condenado na Colômbia ou em país algum por nenhum delito. Era vendedor de Bíblias. Sempre falava em fazer a paz e não a guerra. Carlos não foi traficante e nem viveu em Miami. Foi sequestrado e torturado com Francisco Toro, outro homem inocente e decente. Que pena a Netflix ter mostrado tantas imagens dos cadáveres que deixavam Los Pepes, mas não mostraram imagens do corpo do meu tio Carlos, que foi torturado.

2. Meu pai não era fã do Atlético Nacional e sim do Deportivo Independiente Medellin. Se os roteiristas não sabem nem o time favorito de Pablo, como se atrevem a contar o resto da história e vendê-la como certa?

3. La Quica foi preso em Nova York em 24 de setembro de 1991, de modo que não poderia ter escapado de La Catedral, em julho de 1992, já que havia sido preso nos EUA por documentos falsos.

4. Sobre a fuga de La Catedral: não houve um enfrentamento tão grande ali. Apenas um guarda do cárcere foi morto. Os que ficaram, não se enfrentaram. Meu pai não teve contatos ou ajuda da lei para escapar. A fuga estava desenhada desde a construção da cadeia. Meu pai ordenou que deixassem alguns ladrilhos frouxos.

5. Limón era um funcionário de Roberto, irmão de meu pai. Trabalhou como chofer dele por 20 anos.

 

6. Não é verdade que os carteis de Medellín e Cali negociaram ficar com Miami e Nova York como praças de narcotráfico, respectivamente.

7. A CIA não foi responsável pela proposta de que os irmãos Castaño se tornassem Los Pepes. Fidel Castaño quem decidiu se juntar ao Cartel de Cali. As autoridades locais e estrangeiras fizeram vista grossa para os milhares de crimes e de desaparecidos.

8. Minha mãe jamais comprou uma arma. Tudo a respeito disso é mentira. Nunca jamais disparou uma arma.

9. Meu pai não matou pessoalmente nenhum Coronel “Carrillo“, como chamam o chefe do Grupo de Busca. Ele fez muitos atentados à polícia da Colômbia e neles mais de 500 morreram em apenas um mês no final dos anos 80. Não me sinto orgulhoso da violência do meu pai e reconheço que ele trouxe muitos danos a polícia, assim como também lhe deu muito dinheiro.

10. Aqueles que são conhecedores da história sabem que meu pai estava seriamente errado ao ordenar a morte daqueles que eram seus sócios e credores, Moncada e Galeano. Estes foram sequestrados pelo cartel de Cali e para a sua libertação vivos,  prometeram entregar Pablo e seus homens. Existiam registros telefônicos mostrando a mudança de lealdade. Meu pai ainda decidiu poupar a vida de Moncada, no último minuto, mas quando veio a ordem para parar seu assassinato, a morte já o tinha encontrado. E este foi um dos crimes determinantes para queda e fim do meu pai.

11. Em seus últimos dias, meu pai estava sozinho. Não tão cheio de bandidos como costumam mostrá-lo. Quase todos os seus principais capangas, com exceção de Angelito e Chopo, já tinham se entregado ou estavam mortos.

12. Não haviam tantas comodidades na época posterior a La Catedral. Vivíamos em favelas e não em mansões.

13. A história do tal Leon de Miami é mentira. Não viveu nos Estados Unidos e era um homem absolutamente fiel e valente ao serviço de meu pai. Morreu depois de ser sequestrado e torturado pelos irmãos Castaño em Medellín. Caiu na guerra em nome do meu pai e nunca o vendeu como mostram na série.

14. Meu pai nunca ameaçou Cali como cidade. Ele, inclusive, divulgou um comunicado dizendo que sua mulher e parte da família era oriundos daquela região. Não tinha nada contra a cidade.

15. Ricardo Prisco já estava morto na época em que eles o mostram. Ele tinha um irmão médico, era um homem bom, estigmatizado pelas ações de seu irmão, mas não era um bandido. Ricardo morreu muito antes na vida real.

narcos

Divulgação

16.  Jamais meu pai atacou a filha de Gilberto Rodríguez em seu casamento ou em qualquer momento de sua vida e nenhum membro de sua família. Esse era um pacto, não tocar nas famílias. Meu pai o cumpriu. Pena que eles não cumpriram no dia em que puseram uma bomba no Edifício Mónaco, onde vivíamos eu, minha irmã e minha mãe, no dia 13 de janeiro de 1988.

17. Meu pai jamais nos obrigou a ficar com ele na clandestinidade. Sempre pensou que o melhor era que nós estudássemos e tivéssemos outras oportunidades, diferentes das dele.

18. Estávamos em uma única troca de tiros com meu pai, mas não como a mostrada na série. No meu livro eu realmente conto como eram esses fatos.

19.  Minha avó paterna traiu meu pai e se aliou ao seu filho mais velho, Roberto. Negociaram com Los Pepes e colaboraram tão ativamente que isso lhes permitiu continuar vivendo tranquilamente na Colômbia, enquanto nós fomos para o exílio. Gostaria muito de ter a versão tão terna da minha avó que a série pinta.

20. A viagem para a Alemanha não foi assim. Minha avó paterna não viajou conosco para lugar nenhum.

 

Sem mais artigos