O governo do Sudão e a milícia Yanyawid são os responsáveis “dos elementos mais perversos” nos massacres em três regiões do país onde a violência aumenta a níveis sem precedentes, segundo o ator George Clooney e o ativista John Prendergast.

Em artigo divulgado nesta quarta-feira no site “Vice News”, Clooney e Prendergast, que visitaram o Sudão e criaram grupos de ação para chamar a atenção sobre a crise no país, denunciam o silêncio que reina sobre “o sofrimento do Sudão” nesta crise humanitária, que garantem que “está piorando”.

“Sob o manto da escuridão, em um mundo cuja atenção se dispersa com crise mais acessíveis às câmaras na Ucrânia, Síria e a República Centro-Africana, o governo do Sudão reatou e intensificou sua estratégia genocida nas principais áreas de guerra”, assinalou o artigo.

“Nas três regiões do Sudão desgarradas pela guerra; Kordofan do Sul, Nilo Azul e Darfur, outra vez, há grupos étnicos específicos que são alvo da violência”, continuou.

O ator e o ativista dos direitos humanos lembraram que as milícias Yanyawid alcançaram notoriedade internacional há uma década durante o genocídio em Darfur e “agora retornaram com maior fúria sob a denominação das Forças de Apoio Rápida enviadas recentemente pelo regime”.

“Estas forças estão melhor equipadas, têm um comando centralizado e estão plenamente integradas ao aparelho de segurança do estado, com imunidade legal”, assinalou o artigo.

“Desta vez, o regime do Sudão nem sequer se preocupa em fingir que os Yanyawid não são sua responsabilidade”.

Ao terror que os Yanyawid semeiam se soma, segundo os autores, o terror imposto pela Força Aérea do Sudão que adquiriu aviões de bombardeios e bombas de mais precisão para intensificar a ação contra alvos civis em zonas de guerra.

Clooney e Prendergast disseram que os Estados Unidos podem, de fato, “influir na crise, acelerando seus esforços diplomáticos para a criação de uma paz abrangente em todo o Sudão, que pode resolver as causas profundas e levar a uma real transformação democrática”.

Além disso, pedem sanções econômicas diretas contra os líderes sudaneses responsáveis pelos massacres.

“Os Estados Unidos necessitam reconstruir sua influência em Cartum e a melhor maneira de fazê-lo é afetando os interesses econômicos do regime”, asseguram.

Para isso, segundo Clooney e Prendergast, “o governo dos EUA deve dar ao Departamento do Tesouro os recursos que necessita para seguir o dinheiro que permite as atrocidades, e para impor sanções contra os cúmplices”. 

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