É praticamente impossível imaginar Pulp Fiction sem John Travolta e Samuel L. Jackson, mas Quentin Tarantino correu o risco de não ter nenhum dos dois no filme, que lhe rendeu um Oscar de melhor roteiro em 1995.

 

A revista Vanity Fair, que publica em sua próxima edição uma extensa reportagem sobre o longa, explica como o elenco foi fechado, mencionando que o produtor Harvey Weinstein era contra a escalação de Travolta e queria Sean Penn ou William Hurt como Vince Vega.

Já Tarantino via como opções Daniel Day-Lewis e Bruce Willis, que chegaram, inclusive, a ser convidados e receber o roteiro para avaliação. Willis acabou, de fato, participando do filme, mas no papel do boxeador Butch Coolidge, que também deveria ser de outra pessoa.

Tarantino tinha prometido o Coolidge a Matt Dillon e entregou a ele o roteiro, de acordo com Mike Simpson, agente do diretor. “E ele leu e disse, ‘adorei, mas me deixe pensar mais um pouco’. Quentin então me telefonou e disse, ‘ele está fora. Se não é capaz de me dizer cara a cara que quer estar no filme – depois de ler o roteiro – ele está fora’”.

No final, a entrega do personagem a Willis acabou favorecendo Tarantino, que sofria pressões de Weinstein para ter uma estrela no elenco.  “Assim que consegui Bruce Willis, Harvey tinha sua grande estrela e estávamos todos de acordo. Bruce Willis nos deu legitimidade. Cães de Aluguel tinha tido uma repercussão internacional fantástica, então todos estavam esperando pelo meu novo filme. Então sendo meu novo filme com Bruce Willis todos ficaram enlouquecidos”, lembrou o cineasta.

Entre as outras curiosidades de elenco citadas pela revista, estão a hesitação de Uma Thurman em participar do filme por causa da cena de estupro e a forma como Samuel L. Jackson foi escalado. A primeira opção para interpretar Jules Winnfield era Paul Calderon (que aparece como Paul, um bartender no clube de Marcellus Wallace). Mas Jackson fez um teste enfurecido e convenceu a todos.

“Eu fiquei absolutamente apavorado. Achei que esse cara fosse disparar uma arma bem no meio da minha cabeça. Seus olhos estavam saltando para fora do rosto. E ele simplesmente roubou o papel”, contou o produtor Lawrence Bender.

No final, Harvey Weinstein, que tinha liberdade total para autorizar a produção, admite que ficou chocado com o roteiro e decidiu consultar o então presidente do complexo Weinstein/Miramax/Disney, Jeffrey Katzenberg.

“Quando li o roteiro, fui até ele e disse, ‘mesmo tendo o direito de fazer isso, quero esclarecer com você’. Ele leu e me respondeu: ‘amenize a cena da heroína, se puder, mas este é um dos melhores roteiros que eu já li. Mesmo que você não precise, estou te dando minha benção’”.
 


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