Um jovem negro, filho de uma esforçada auxiliar de enfermagem, ingressa em uma prestigiada universidade de medicina. Na primeira aula de anatomia, ele é apresentado ao corpo que servirá para estudo dele e de seu grupo, o M-8. Também jovem. Também negro. Este encontro resulta no suspense brasileiro “M-8 – Quando a Morte Socorre a Vida”, no qual o protagonista Maurício entra em uma busca angustiante pela identidade daquele desconhecido.

O filme é baseado no livro homônimo de Salomão Polakiewicz, dirigido por Jeferson De e protagonizado por Juan Paiva (Maurício), que junto com Mariana Nunes (Cida, mãe de Maurício), estiveram na Geek Nation Livestream, no último sábado (15), em um painel dedicado ao longa. E eles reforçam: “M-8” não deve ser mantido dentro de uma “caixinha”, “é para todo mundo”.

“Quando a gente faz um filme é para todas as pessoas. O cinema que eu faço é um cinema para toda a audiência que se interessa por história bem contada, por histórias humanas”, explicou o diretor.

Jeferson, no entanto, ressaltou que o foco dos seus trabalhos, o que tem vontade de falar, é de sua vida. “Eu quero falar da minha mãe, dos meus primos, dos meus irmãos […] Se a gente for analisar o que aconteceu com o menino Pedro Gonzaga, em frente ao supermercado Extra, e observar as imagens do George Floyd, tem mais de um ano de diferença. Eu quero falar do Pedro, e o Pedro tem coisas pra me dizer, esse cadáver do Pedro tem coisas para me dizer. Esse é o ‘M-8’. É isso que me interessa”, defendeu.

Mariana reforça que o suspense “não é um filme para negros, é um filme para todo mundo”.

“Mas é com muito prazer que eu entrego esse trabalho para a população negra brasileira, sim […] e acho que vão se identificar muito. Para as pessoas brancas, tomara que se identifiquem também nas pequenas situações que acontecem, que às vezes são muito pequenas, mas às vezes são muito grandes, enfim… É que quando você não se assume racista, é difícil de entender o que acontece a sua volta… Mas acho que o filme pode ser um bom convite para pessoas brancas pensarem nisso também”, disse, instigando o público a refletir.

O apresentador do painel, Jacidio Junior, apontou então que o longa não fala abertamente sobre racismo, mas o apresenta dentro de situações cotidianas. E o diretor explicou a escolha pelo “silêncio”.

“Nos Estados Unidos é fácil montar um discurso porque obviamente a grande entidade racista é a Ku Klux Klan (KKK). Enfim, lá você tem uma série de discursos de superioridade branca. No Brasil, para alguém se assumir racista a gente está vendo agora essa campanha, basicamente dos nossos amigos e amigas, pessoas que estão mais perto da gente. De qualquer maneira, o que a gente vê no Brasil é um silêncio. É trabalhar com o silêncio. E o filme trata disso: dos silêncios que se faz”, finalizou.

Confira o trailer de “M-8 – Quando a Morte Socorre a Vida”, em breve nos cinemas:

A Geek Nation Livestream vai até este domingo (16), é um evento 100% online e gratuito. Você pode acompanhar o que está rolando pelo YouTubeFacebookTwitterTikTok, no aplicativo Nimo.TV e pelo Twitch.

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