Marcelo Pio fala sobre os desafios de viver 3 personagens ao mesmo tempo

Marcelo Pio se vê, atualmente, em uma posição desafiadora para muitos atores. Isso porque ele está trabalhando simultaneamente em três papéis (e em três plataformas diferentes): o delegado Barradas, na série do Amazon Prime Video “Dom”; Rassani em “Gênesis”, da Record; e Carlos, no filme “O Meu é Meu, o Seu é Nosso”.

Ao Virgula, o artista conversou um pouco mais sobre esse cenário, além de dar mais detalhes sobre cada um de seus personagens.

Virgula: Como está sendo o processo de “ser” três personagens ao mesmo tempo?Marcelo Pio: Olha, estar com três personagens realmente é uma bênção, é fruto de muito trabalho e dedicação.  Acho que a história de uma pessoa que leva ela pela vida, acho que por isso estou aqui neste ponto. Muito feliz e grato também por todos que acreditaram e depositaram essa confiança na minha arte. A sensação é esta, de gratidão e felicidade em poder entregar grandes personagens nas histórias correspondentes e todos completamente diferentes.
Dois dos personagens que você vive atualmente são totais opostos – um, é um personagem bíblico, o outro, traficante de pedras preciosas. Como é o processo criativo de criação de personagens tão distintos em um mesmo período de tempo?Tem que ter uma entrega absoluta. Um estudo. Uma dedicação. Um amor com seu personagem. Você passa a dar voz esteticamente, humanamente, filosoficamente, etc… Para aquele Ser em mim. Você passa a defender aquela causa, aquela vida. Tem-se que trabalhar tanto que só é justificável você entrar em cena para defender aquela persona se você estiver absolutamente envolvido naquele campo energético, naquela história. O Eu some e você passa a seguir objetivamente o “Outro”. O teatro é sempre o Outro, aquele olhar pro outro, aquela escuta pro outro, que é a sua personagem. O meu segredo de “virar a chave” é focado no estudo do texto e o que as ações e movimentos práticos daquele momento vão me levar para minha personagem. Depois de todo este trabalho, quando visto o figurino com uma maquiagem, caracterização e cabelo o “click” só acontece quando vou para a cena no “ação” do Diretor.  Gosto de pensar nesta composição “coletiva” de criação!
“Dom” é a produção internacional mais assistida do Amazon Prime Video. Como tem sido lidar com a repercussão da série aqui fora?
A repercussão da série foi ótima, muita gente pôde conhecer meu trabalho pois o sucesso e visibilidade da série foram enormes. Nestes tempos pandêmicos muita gente escrevendo e elogiando pelas redes sociais, só tenho a agradecer aos amigos, fãs e incentivadores que curtem meu trabalho. E estou muito feliz pois estamos na segunda temporada sim e com muita história pra contar. Barradas ainda tem muito pano pra manga e “Dom” é uma história mais que necessária para uma reflexão profunda das bases da sociedade.
Tem alguma coisa que você possa nos contar sobre o Barradas na segunda temporada da série?
Sei muito pouco ainda sobre Barradas na segunda temporada, mas sei que Breno Silveira com sua equipe camisa 10 estão já a todo vapor preparando tudo nos detalhes e com todos os cuidados de protocolos para filmarmos com segurança. Mas sei que tem muita história pra se resolver pois ele deixa 3 ganchos de “tretas” para serem resolvidos.Barradas é uma potência. Uma honra e desafio viver personagens complexos. Ele Vive toda idiossincrasia humana e do sistema nos seus momentos. Foi um dos trabalhos que senti a personagem bem viva comigo e estudei muito para poder dar vida a Barradas. Muito bem escrito como todas as personagens da Série. Fiz o teste com a Cibele Santa Cruz para um papel e o Breno Silveira me escolheu para outro, o Barradas. Realmente uma Benção, são aqueles personagens “chaves” da carreira. Acredito que a personagem  pode escolher seu intérprete assim como uma música que cai bem na boca daquela específica voz de cantor. Ser dirigido por Breno foi incrível, ele sabe o que quer, vai ponto a ponto com potência e sensibilidade, aliás todo o time de profissionais e elenco só fera.Você pode nos contar um pouco mais sobre o seu personagem em “O meu é meu, o seu é nosso”?
Vão dar boas risadas, se emocionar e ficar intrigado com a trama. O roteiro de Guga Sabatiê é genial. O meu personagem Carlos é um traficante de pedras preciosas. Costumo dizer que esta é uma “comédia romântica policial poética” com um grande elenco de amigos queridos. Filmamos em Petrópolis na fazenda do Amor antes da pandemia. “Nosso filho”, como costumamos dizer, foi feito com muito amor mesmo. Carlos é meu primeiro “vilão” no cinema, creio que a estreia seja logo no final do ano ou no início de 2022. Carlos é o mistério “problemático” do roteiro, não posso falar muito, porque o roteiro é tão genial de lindo que espero que a gente possa ver logo nas telonas do cinema. Fizemos no jeito BOA ( Baixo orçamento e amigos) como diria nosso saudoso amigo mentor Domingos Oliveira. Com fotografia de Lucca Pougy e preparação de elenco da amada Bia Oliveira, o filme está espetacular e será um respiro para tempos duros.Tem algum formato (televisão, cinema, teatro ou, agora, streaming) que você prefira atuar?
Não. Eu gosto do desafio do personagem, entregar o meu melhor sempre para as produções que trabalho e a adrenalina cheia de sonho de estar num set ou no palco de teatro. Trabalhar como ator já é um grande sonho e ter a oportunidade de trabalhar em várias plataformas é uma grande Benção de verdade. Agora trabalhar nestas plataformas é bem parecido a dinâmica de produção de set de criação, claro cada um com algumas particularidades. E graças a Deus, todas as plataformas estão fazendo um alto nível de cinema, desde a direção, técnica, produção, fotografia…
 Você tem outros projetos que possa nos contar?
Tive o prazer e a benção de entrar em “Gênesis” com o personagem Rassani e estou captando para dois projetos meus em teatro.

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