Três décadas depois de Ridley Scott se aventurar pela última vez no campo da ficção científica – Alien, O Oitavo Passageiro (1979) -, o cineasta britânico retorna ao gênero com Prometheus, um filme que traz novos dilemas para o universo que o diretor já explorou há muitos anos atrás.

“Eu não voltei ao gênero anteriormente porque, além de estar ocupado fazendo novos filmes e explorando outros temas, francamente não encontrei nada com a verdade, originalidade e força suficiente. Prometheus possui essas três qualidades”, declarou o diretor de Blade Runner – O Caçador de Androides (1982).

O roteiro do filme, assinado por Jon Spaihts e Damon Lindelof (da série Lost), situa a história no ano de 2093, cerca de 30 anos antes dos fatos registrados em Alien. Nesta época, um grupo de exploradores descobre alguns indícios sobre a origem da humanidade, um fato que os levam para os extremos do universo em busca de respostas.

A descoberta do grupo permite que este filme vá além do que poderia se considerar um prólogo da mítica obra de Scott.

“Ridley e Jon passaram um ano trabalhando em uma minuta quando eu cheguei ao projeto”, disse à Agência Efe o ator Lindelof.

“A realidade é que Ridley queria se afastar de Alien. A história tinha muitos elementos de um terreno que já tinha percorrido. Queria coisas mais originais. E chegou essa ideia do homem buscando seu criador”, acrescentou o roteirista.

Lindelof, uma referência no mundo da televisão, sabe que tem entre mãos o filme de maior envergadura de sua carreira.

“É o maior filme que eu já fiz como roteirista. Sinto uma grande pressão. Espero estar à altura. Claro que haverá muitas reações, mas só quero que Ridley esteja orgulhoso do filme que fez”, acrescentou Lindelof, que também é produtor executivo de Prometheus.

O filme, que estreou recentemente nos EUA, conta com um elenco formado por Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Logan Marshall-Green e Idris Elba.

O filme começa com a descoberta de algumas pinturas rupestres que parecem fazer alusão a um planeta distante, o que leva a multinacional Weyland Industries a financiar uma viagem ao espaço para investigar a origem da vida.

Lindelof recebeu a encomenda por parte do famoso diretor de ampliar essa ideia e desenvolver uma trama que tocasse algumas reflexões universais, como quem somos ou de onde viemos.

“Fiquei aterrorizado quando ele me chamou”, admitiu o roteirista. “Fui seu fã toda minha vida, particularmente de Alien e Blade Runner. Pensei que tinha se equivocado e que queria falar com outro, mas também não quis corrigi-lo. Ajudar a moldar sua visão de filme foi um privilégio”, disse.

O grupo, liderado por dois cientistas (Rapace e Marshal-Greene), uma representante da empresa (Theron) e um androide de aspecto humano (Fassbender), se desloca a bordo da nave Prometheus (Prometeu), o nome do titã que ousou desafiar os deuses na mitologia grega e, por isso, acabou castigado.

A expedição espera encontrar o paraíso e suposto refúgio dos deuses criadores, algo diferente do que terminarão por encontrar, já que estarão imersos em uma verdadeira batalha para garantir a existência da raça humana.

Toda a história nasce a partir de uma figura que aparecia brevemente em Alien, a do chamado Space Jockey, um gigante extraterrestre com um buraco no peito.

“A ideia em torno da origem dos ‘engenheiros’ – seres que criaram a vida na Terra – já estava no papel quando cheguei. Ridley queria ideias de evolução e sobre a possibilidade de que esses seres tivessem fabricado os humanos através da biologia e da biomecânica”, declarou Lindelof.

Apesar de oferecer respostas para algumas questões-chave de Alien, o filme abre novos dilemas que deverão ser respondidos com uma possível sequência, caso o filme se torne um sucesso.

“É difícil encontrar um balanço entre o que queríamos revelar aqui e o que queríamos deixar para mais adiante”, reconheceu Lindelof. “Espero que as pessoas se interessem e queiram mais continuações. Se não houver, acho que o filme se sustenta por si só”, finalizou o roteirista.

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