O produtor de cinema Axel Kuschevatzky, 41 anos, tem uma relação próxima com o Oscar. Todos os anos, desde 2004, o argentino entrevista atores e diretores no tapete vermelho, para o canal TNT, em transmissão para milhões de pessoas na América Latina. Tendo trabalhado como produtor executivo do filme O Segredo dos Seus Olhos (vencedor da estatueta de melhor filme estrangeiro em 2010), por sua vez, ele experimentou o que é ter um projeto reconhecido com o maior prêmio do cinema mundial.

“É o tipo de coisa que acontece uma vez na vida. Se você me perguntar o que se passou na minha cabeça naquele momento [em que O Segredo dos Seus Olhos foi anunciado vencedor], eu não conseguiria responder. Eu estava em outro mundo”, diz.

Depois de O Segredo dos Seus Olhos, seu primeiro projeto para o cinema, Kuschevatzky produziu mais de duas dezenas de outros filmes. Entre eles, Toque de Mestre, com John Cusack e Elijah Wood, El Ardor, com Alice Braga e Gael García Bernal, cuja estreia está prevista para este ano, e Welcome to Harmony, com Matthew Fox, que está sendo gravado.

Em entrevista ao Virgula Diversão, Kuschevatzky falou sobre suas experiências no tapete vermelho e como essa vivência ajudou em sua formação como produtor. Ele ainda deu seus palpites para a premiação deste ano, que acontece no próximo domingo (2).

Você cobre o Oscar há mais de dez anos. Como foi diferente, para você, a edição de 2010, em que O Segredo dos Seus Olhos recebeu uma estatueta?
Esse filme mudou minha vida. Foi a primeira vez que eu me envolvi na produção de um filme e, de cara, ele ganhou o Oscar, o que foi uma boa surpresa. Eu não estava preparado para algo tão grande. Depois dele, eu virei um produtor e fiz 27 filmes. O filme mudou todo o jogo para mim.

O que se passou na sua cabeça quando o filme foi anunciado como vencedor do Oscar de melhor filme em língua estrangeira?
Eu já não podia acreditar que fomos indicados, quanto mais que o filme ganhou o prêmio. Eu senti algo que nunca havia sentido antes. Eu estava com a minha mulher e com meu filho e não nos abraçamos. Nós choramos. É o tipo de coisa que acontece uma vez na vida. Se você me pergunta o que se passou na minha cabeça naquele momento, eu não saberia responder. Eu estava em outro mundo.

Isso te dá uma nova perspectiva quando você entra no tapete vermelho para entrevistar atores e diretores?
Quando você passa por todo o processo de nomeação, consegue entender completamente o que acontece na cabeça dos indicados. Isso me ajudou como repórter. Da mesma forma, fazer o tapete vermelho é como ir à melhor escola de cinema do mundo, porque lá tive a chance de conversar com pessoas como Woody Allen, Martin Scorsese ou Clint Eastwood. A experiência humana é essencial, e eu aprendi muito por meio das experiências de outras pessoas. Muitas das coisas que sei como produtor vieram de entrevistas.

Quais foram as suas melhores entrevistas no dia do Oscar?
As boas entrevistas no tapete vermelho sempre são das pessoas que não se levam tão a sério, como George Clooney. Ele é sempre ótimo. Ron Howard, que entrevistei algumas vezes, é um dos cineastas mais brilhantes da atualidade, mas é subestimado. Seu filme Rush é muito bom e passou quase desapercebido pela Academia neste ano. Eu também aprendo muito com caras que não são tão conhecidos assim. Ao mesmo tempo, a noção de estar ao vivo para um público de toda a América Latina, cerca de 130 milhões de pessoas em 45 países, é algo enorme. Você lida com muita pressão porque quer fazer um bom trabalho. Eu estudo e faço tudo que tenho de fazer para que dê certo.

Você ainda fica nervoso nas transmissões? Muita coisa pode dar errado?
É um programa ao vivo, então muita coisa pode dar errado. Mas trabalhamos com a equipe mais profissional do mundo. Muita coisa que acontece atrás das câmeras você nunca vai perceber. E acontece muita coisa também com a (coapresentadora) Liza Echeverría. Eu a amo, ela é uma ótima pessoa e profissional. Amo todas essas pessoas e a forma com que trabalham.

Qual foi o ano mais memorável do Oscar, como show de entretenimento?
Ano passado foi brilhante. Os produtores Neil Meron e Craig Zadan são muito bons. A escolha de Seth MacFarlane para o papel de MC foi ótima. Acho que esse ano vai ser muito bom, mas o ano passado foi marcante. E a audiência nos EUA melhorou, o que significa que eles estavam fazendo a coisa certa.

Quais são suas expectativas para o Oscar deste ano?
O principal tema da cerimônia deste ano será super-heróis. Estou curioso para saber o que eles farão com isso. Acho que é um grande tema. Os estúdios estão fazendo muitos filmes de super-heróis nos próximos anos. Então, acho que eles podem fazer algo engraçado com isso. Eles têm ótimos indicados, e isso é bom porque você sabe que vai ter personagens fantásticos no palco. Acho que vai ser realmente bom. Esses caras sabem como conduzir o programa.

Em que longa você apostaria para ganhar a estatueta de melhor filme?
Eu diria que 12 Anos de Escravidão. É o principal candidato no momento por causa do tipo de filme que é. O filme recebeu muita mídia positiva e é politicamente correto. Para os votantes da Academia, isso é algo importante.

É o seu preferido entre os nove indicados?
Não. Os meus preferidos são O Lobo de Wall Street, Nebraska e Gravidade. Acho que os três filmes são brilhantes, muito bem feitos e de diretores muito bons. Mas não acho que vão ganhar. Eu queria ver Alfonso Cuarón (diretor de Gravidade) ganhando nessa categoria, mas acho que ele só vai ganhar como melhor diretor.

Você acha que Leonardo DiCaprio tem chance este ano?
Acho que não. Nos outros prêmios, antes do Oscar, Matthew MacConoughey ganhou tudo. E ele se transformou para o papel. Eu queria que, se ele ganhasse, isso significasse algo para os brasileiros, porque a mulher dele, Camila Alves, é brasileira. Acho que vocês deveriam comemorar se ele ganhasse.

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