O ator americano Richard Gere apresentou no último domingo (19) seu novo filme, Time out of Mind, no Festival Internacional de Cinema de Roma. Para ele, fazer o longa “foi uma experiência incrível”.

“Eu me coloquei na pele de alguém que é invisível, foi um grande aprendizado”, afirmou o ator durante uma entrevista coletiva concedida no festival. O americano, que trabalhou no filme sob o comando do diretor Oren Moverman, destacou que o novo trabalho “se trata de uma história que fala de sentimentos”.

“O filme pretende fazer chegar ao público como se sente uma pessoa que está fora de hora e de lugar”, disse o ator, que interpreta um sem-teto nova-iorquino. Essa não é a única mensagem que o filme busca transmitir, segundo ele.

“O filme tem um discurso universal, aplicável a todos os cidadãos e não só aos menos favorecidos, que é a necessidade de pertencer a algum grupo, de se sentir parte de algo”, comentou.

Gere também quis evidenciar o “incomum” da técnica de filmagem empregada no longa, já que as cenas foram sempre gravadas a grandes distâncias com a ajuda de câmeras teleobjetivas.

“Não queríamos que ninguém percebesse que estávamos fazendo um filme, por isso que as câmeras estavam sempre longe ou escondidas. Tudo com o objetivo de passar despercebido nas ruas de Nova York”, comentou.

O ator admitiu sua surpresa quando, após três semanas de gravações, apenas duas pessoas foram capazes de reconhecê-lo.

“Essa experiência me permitiu comprovar que as pessoas estão completamente isoladas. Caminhamos pela rua em nosso mundo, em uma cápsula, sem dar conta do que acontece ao nosso redor”, ressaltou.

Richard Gere também falou sobre as dificuldades da equipe durante a gravação por causa da falta de tempo, apenas 21 dias com orçamento curto. Segundo ele, este tipo de filmes, “com poucos recursos e grandes roteiros”, são o futuro do cinema. “Na minha opinião, esse é o caminho que seguirá o cinema de verdade”, afirmou

O ator destacou a grande qualidade dos roteiros do cinema independente e a dificuldade que as grandes produtoras têm para invistir em filmes com “abordagem dramática”.

“Quando você quer contar uma história, tem que ser uma comédia romântica ou um ‘thriller’ para ter patrocínio. Se você fala que seu filme é um drama, todas as portas se fecham”, lamentou.

Durante a apresentação, Gere reconheceu que Time out of Mind era um projeto que queria ter começado há muito tempo, mas que não tinha decidido fazer até então.

“Recebi o roteiro há mais de dez anos e achei extraordinário. No entanto, não me pareceu o momento certo para mergulhar nesse projeto e quis recuperá-lo agora”, explicou.

O artista aproveitou a ocasião para denunciar a grande quantidade de moradores de rua que habitam nas ruas de Nova York, cerca de 60 mil, dos quais 20 mil são crianças.

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