Estar em Los Angeles na época em que a cidade recebe a cerimônia do Oscar é, certamente, uma experiência ímpar. Faz parte do pacote ver dezenas de limousines circulando nas ruas, conhecer gente louca por cinema e torcer, como em jogo de futebol, por seus atores preferidos durante a transmissão da cerimônia. Este repórter chegou à capital mundial do entretenimento no dia 28 de fevereiro, dois dias antes do evento, e presenciou todo o burburinho em torno da premiação.

O local onde acontece a cerimônia é o teatro Dolby Theater, em Hollywood, ao lado da Calçada da Fama. Nos dias anteriores à premiação, a rua Hollywood Boulevard, onde acontece o tapete vermelho, fica parcialmente fechada para o público e se assemelha mais a um canteiro de obras do que ao glamouroso acesso de astros e estrelas ao teatro.

Curiosos debruçavam-se na grade em frente à entrada do Dolby para tirar fotos dos preparativos para o tapete. Duas jovens canadenses contam que foram a Los Angeles para ver a movimentação em torno do Oscar. Um japonês diz à reportagem que está lá a trabalho. “Eu dirigi Possessions, que concorre ao Oscar de melhor curta-metragem de animação. Prazer em conhecê-lo”, dizia o cineasta Shuhei Morita, todo humildão.

Nas ruas ao redor do Dolby Theater, pessoas vestidas de personagens, tais como Charlie Chaplin e Homem-Aranha, aproveitavam a movimentação para tirar fotos com turistas. Cobravam de US$ 10 (cerca de R$ 23) a US$ 20 (R$ 46) por isso.

No dia do Oscar, por sua vez, todas as ruas ao redor do Dolby Theater ficam bloqueadas, por questão de segurança. Só é possível chegar perto do tapete vermelho com credenciais da Academia. Dois jovens rapazes altos e negros procuravam um meio de chegar ao tapete vermelho, uma vez que as ruas que conheciam estavam inacessíveis.

“Vamos dançar na apresentação do Pharrell Williams. Os caras deveriam ter nos explicado como passar por todos esses bloqueios”, reclamava um deles.

Nas ruas de Hollywood, perto do Dolby Theater, viam-se limousines circulando. Era possível enxergar silhuetas dentro dos veículos, mas era difícil saber quem eram os convidados da cerimônia.

Na hora do desfile no tapete vermelho, uma estranha manifestação estava em curso na rua Highland, próximo ao Dolby. Um grupo religioso chamado God Hates America (Deus odeia a América) levantava cartazes de protesto à presença de atores gays na indústria do cinema. Os pedestres tiravam sarro dos manifestantes. Uma transeunte quase iniciou uma briga ao pegar na mão de uma garotinha que carregava o cartaz “Mentiras de bicha”.

Muitos habitantes locais vão a restaurantes, bares e pubs para assistir à cerimônia de premiação. É uma experiência divertida, com gosto de final de Copa do Mundo. No pub The Cat & Fiddle, homens e mulheres torciam por seus atores e filmes preferidos, gritavam quando os nomes eram anunciados. Quando Lupita Nyong’o recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante, foi aplaudida efusivamente. Quando 12 Anos de Escravidão foi anunciado como vencedor do Oscar de melhor filme, ouviam-se brindes de copo de cerveja. Cenas marcantes.

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