O alemão Wim Wenders exibiu nesta terça-feira na seção oficial alternativa do Festival de Cannes, Um Certain Regard, um documentário sobre o trabalho do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, co-dirigido também por seu filho, Juliano Ribeiro Salgado.

“Le Sel de la Terre”, assinado pelo diretor que há duas décadas ganhou a Palma de Ouro com “Paris, Texas”, é uma viagem ao passado e ao presente de nosso planeta por um dos olhares que mais bem o capturaram, de Salgado.

Nascido em Aymorés, no interior de Minas Gerais, em 1944, Salgado é economista de formação, e mudou a oferta e a demanda por uma câmera fotográfica.

A formação acadêmica o deu sólidos conhecimentos em mercados globais, comércio e indústria, o que permitiu a Salgado “saber o que movimentava o mundo” quando em 1973 trocou um confortável posto na associação de cafeicultores em Londres para se dedicar à fotografia.

Ele retornou então a Paris com sua esposa Lélia para iniciar uma carreira celebrada há décadas.

O documentário, de 1 hora e 49 minutos, é um filme “modesto dedicada às grandes imagens do trabalho de um grande fotógrafo”, disse Wenders ao apresentar o filme.

O longa começa mostrando imagens dos garimpeiros no Brasil e depois se detém na fotografia de uma mulher tuaregue cega que comoveu Wenders, que deixou o emoldurado em seu escritório.

A partir daí, o filme avança pela biografia do fotógrafo da prestigiada Agência Magnum, um mestre do branco e preto que capturou com humanismo a realidade que seus olhos miraram no Amazonas, na Sibéria, na Etiópia, na Nigéria… onde encontrou fome, empreitada e pobreza.

Mas Salgado encontrou também vida, olhares, famílias e sonhos de todas as cores e culturas e uma natureza ampla e poderosa que ficou parcialmente arquivada em seu mais recente livro e na exposição itinerante “Gêneses”, o tributo de Sebastião Salgado à terra virgem.

O documentário de Wenders concorre em uma seção destinada a um cinema atípico e que este ano também projeta “Abundância”, do argentino Lisandro Alonso; “Party Girl”, de Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis; “Formosa juventude”, do espanhol Jaime Rosales ou “The Disappearance of Eleanor Rigby”, assinado por Ned Benson e protagonizada por Jessica Chastain. 

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